About me
esse texto me descreve (:
“Combinamos que nunca esqueceríamos. Combinamos que seria para sempre. Combinamos que ficaríamos juntos e que isso era de verdade. Sabe, eu sempre tentei compreender nosso meio-fim, nosso adeus sem um adeus de verdade, mas nunca fui capaz. Eu volto naquele momento o tempo todo e não consigo entender o que eu fiz de errado. Eu não sei, talvez foi falta de esforço, falta de vontade, falta de maturidade, sei lá. Tanto faz. Eu sou essa pessoa insuportável que quer tudo de um jeito e que se não for desse jeito, eu tô fora. Eu sou essa pessoa despreparada para lidar com você e com o que está acontecendo agora. Eu sou essa desgraça que tem medo de lidar com qualquer coisa que me machuque, essa mimada que implora por mais uma chance para fazer dar certo só para não ter que mudar minha rotina. Digo, no início era apenas isso. Depois se tornou uma coisa bem, bem maior que apenas rotina. Meu mundo passou a girar em torno do seu e não importa o quanto clichê isso pareça, é só a verdade. Mas, sabe? Ontem, eu estava escutando músicas, e de repente, aquela ― sim, aquela música ― começou a tocar. E eu não chorei. Não pensei; não senti; não lembrei. E, pode não parecer, mas diante de como eu estava acabada, isso foi um grande passo. Por um instante, minutos talvez, eu me senti livre. Meu Deus, eu nem te queria mais. Quando penso no que poderia ser, no que poderia ter sido… Eu sei que não dá. E naquele momento, eu nem queria que desse. Não queria mais. Mesmo que eu já tivesse repetido aquilo pra mim mesma inúmeras vezes, só daquela vez que eu senti que era real. Eu senti que, lá no fundo, o tempo pode ser o melhor remédio. Eu já havia apagado o teu número da minha agenda, nosso histórico de mensagens, e substituí meu plano de fundo do computador por uma foto apenas minha. Era eu. Agora, seria eu. Só eu e o resto que se foda. Guardei todas as nossas lembranças, porque eu não queria mais me lembrar delas. Não queria ter uma recaída, das inúmeras que eu já tive, ou qualquer coisa do tipo. Como você quiser chamar. Mas, quando eu estou fugindo de nós dois, algo sempre me puxa de volta. E me faz lembrar que eu perdi você. Por favor, quem eu quero enganar? Eu não sei te esquecer. Eu nunca vou te apagar completamente. Essa é a cruel e mais pura verdade. E é então que eu desabo. Não sei o resto, mas eu odeio chorar. Acho que é fraqueza demais para eu conseguir suportar. Mas, o pior disso tudo, é que sempre que eu lembro de nós, eu choro. E eu sei que você não faz o mesmo, que você não sente falta, não pensa em mim. Foi você que fez com que eu deixasse você aquele dia. E isso foi uma mudança maluca na minha vida. Me tornei tão você, que agora não sei mais como ser sem você, compreende? Consegue compreender o quanto você me destruiu? E dói saber que você não sentiu absolutamente nada e nem mesmo se importa se eu senti. Eu tento, juro, tento seguir em frente, te deletar; mas aí eu vejo você na rua, mas não é você. E então eu ouço tua voz, mas não é tua voz. E eu acho que estou te deletando completamente, mas não estou. E eu torço baixinho para que eu não esteja ficando maluca. E aí o ciclo recomeça, e eu digo que vou te esquecer e por aqueles mínimos segundos ou minutos parece que eu realmente esqueço. E daí eu me sinto madura. Tão autônoma e suficiente. Tão você. E aí me dou conta, de que é você novamente. E eu caio. Será que, algum dia, isso vai passar? A gente esquece um amor desses? […] Mas eu repito pra mim mesma que eu tenho de seguir em frente. Tenho que deixar pra lá. Sei lá, fazer algo diferente no cabelo, comprar roupas novas, sair mais com os amigos, talvez melhore. Ou não. Talvez eu deixe de pensar em você o tempo todo, talvez eu não te queira mais sendo nem mesmo um amigo, talvez eu já não sinta mais nada. Ou não. Mas eu não quero seguir adiante. Eu sinto que, lá no fundo, eu não quero te esquecer. Não quero deixar que o meu amor renasça em outra pessoa, porque na verdade, eu quero insistir no nosso canto. Eu quero ficar onde eu estou, mesmo sem você. Eu não quero ficar bonita para ninguém que não seja você. Por Deus, que coisa ridícula. Quando que isso tudo chegou a esse ponto? O fato é que eu não posso enganar a mim mesma: a realidade é que eu tenho essa esperança absurda que você volte e nós possamos ser um só de novo. Droga. Eu me sinto tão perdida, tão confusa. Vai passar, vai passar. Você vai ver. Pode deixar comigo, vai passar. Eu vou fazer passar. Já passou. É, já passou. O meu problema é o que ficou. E eu repito o tempo todo de que não foi nada, nada aconteceu, repito para mim mesma que as tuas mentiras, tua farsa, tua leviandade não significou nada. Às vezes eu acredito, e às vezes eu sinto tanta raiva de você, que eu tenho vontade de correr não importa onde você esteja e te sacudir. Te massacrar. Fazer você sentir um quinto do que eu senti, para que assim, você possa perceber que dor física nenhuma se compara a isso. Eu adoraria te encontrar e te dizer os piores desaforos, gritar palavras estúpidas e sem sentido dessas que a gente diz quando bate o dedo numa quina. Mas quando eu te vejo, eu não faço nada, só fico em silêncio. Às vezes tento te evitar, às vezes tendo te aproximar. Um silêncio que até dói. O silêncio em que ficávamos quando você ficava com ciúmes daquele meu amigo que você tinha certeza de que estava dando em cima de mim. Eu vivo nessas recaídas, nesses altos e baixos, nessa minha loucura de acreditar que por fim, estou te esquecendo, e minutos depois, eu me dou conta de que você continua vivinho aqui dentro. Eu deveria mesmo te deixar pra lá e seguir adiante do mesmo jeito que você está fazendo desde o primeiro dia em que me deixou, mas eu não consigo. Algo sempre me faz desistir dessa ideia. Talvez qualquer dia desses eu te encontre na rua e talvez eu esteja tão no alto, que não te note. Que o modo como você ajeita o cabelo quando está nervoso não me deixe louca. Que o modo como você ri não me deixe com vontade de pular nos teus braços e te beijar. Talvez, quem sabe, te esquecer é o próximo passo. Eu estou fazendo algumas mudanças na minha vida. Sei lá, para ver se eu consigo sair desse buraco sem fim em que eu estou. Caso você não ouça mais falar de mim, você provavelmente é uma delas.” Bárbara Brasil (c-ript0nita)
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